Aprendizagem baseada em Narrativas

O QUE É MEDICINA NARRATIVA?

A medicina narrativa como área curricular surge, não como uma abordagem totalmente diferente da formação médica que vem sendo aplicada ao longo dos anos, mas sim como uma maneira de aprimorar esse ensino da saúde (ARNTFIELD; SLESAR; DICKSON; CHARON, 2013). A medicina narrativa entende que as vivências na relação médico-paciente são capazes de transformar de maneira positiva o indivíduo em formação e o sujeito que está adoecido. A partir disso, diversas instituições ao longo dos anos tem adotado a medicina narrativa como área curricular, como na Columbia University College de Médicos e Cirurgiões, que desde o ano 2000 tem assumido essa metodologia como área obrigatória curricular (KARAM, 2018). A aplicabilidade da medicina narrativa se mostrou positiva em alguns estudos quanto a sua eficácia no cenário prático e/ou a relação da mesma com a construção de conhecimentos de estudantes da área de saúde. Segundo o estudo de Karam (2018), realizado com 18 internos de medicina, com a aplicação da medicina narrativa dentro da grade curricular desses alunos foi possível observar o aumento de reflexões pessoais e consciência sobre os sentimentos dos pacientes. Além disso, permitiu o desenvolvimento de um profissionalismo desses estudantes para com a relação médico-paciente e uma empatia desses alunos em relação a outros profissionais da área de saúde, pelo fato dos mesmos terem que lidar com determinadas situações cotidianas que possam afetar a sua saúde mental. 

No Brasil, são poucos os estudos que abordam a aplicabilidade da medicina narrativa como ferramenta para o ensino da saúde. Dos poucos relatos encontrados, um estudo realizado por Claro e Mendes (2018), com 80 estudantes de medicina, por meio de uma avaliação qualitativa das vivências desses indivíduos no cenário prático foi possível observar: o desenvolvimento de uma admiração desses alunos pelos pacientes e suas vivências, o desenvolvimento de habilidades de comunicação associado a inseguranças, angústias e ansiedade quanto o cenário prático, bem como, dificuldades encontradas por alguns alunos diante da necessidade de lidar com sofrimento e emoções de alguns pacientes. Outro estudo brasileiro (BENEDETTO; GALLIAN, 2018), com 25 estudantes da área de saúde, avaliou de maneira qualitativa o aprendizado desses indivíduos por meio da medicina narrativa. A partir dessa pesquisa analisaram-se as reflexões desses indivíduos diante das histórias de vida dos pacientes e de suas narrativas, além de permitir o desdobramento de emoções e sentimentos voltados para a formação de vínculos entre eles e os pacientes atendidos. Dessa maneira, é possível dizer que existem contribuições valiosas  com a integração da medicina narrativa no ensino da saúde.

Referências

Referências

  • JOHNA, Samir. What Can We Learn From Narratives in Medical Education? The Permanente Journal, [s.l.], v. 18, n. 2, p. 92-94, 12 maio 2014. The Permanente Press. http://dx.doi.org/10.7812/tpp/13-166
  • Charon R. Narrative medicine: honouring the stories of illness. Oxford University Press, 2006.
  • ARNTFIELD, Shannon L.; SLESAR, Kristen; DICKSON, Jennifer; CHARON, Rita. Narrative medicine as a means of training medical students toward residency competencies. Patient Education And Counseling, [s.l.], v. 91, n. 3, p. 280-286, jun. 2013. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.pec.2013.01.014 
  • KARAM, George. Implementing a Narrative Medicine Curriculum During the Internship Year: an internal medicine residency program experience. The Permanente Journal, [s.l.], p. 17-187, 2018. The Permanente Press. http://dx.doi.org/10.7812/tpp/17-187.
  • CLARO, Lenita Barreto Lorena; MENDES, Anna Alice Amorim. Uma experiência do uso de narrativas na formação de estudantes de Medicina. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, [s.l.], v. 22, n. 65, p. 621-630, abr. 2018. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622016.0850.
  • BENEDETTO, Maria Auxiliadora Craice de; GALLIAN, Dante Marcello Claramonte. Narrativas de estudantes de Medicina e Enfermagem: currículo oculto e desumanização em saúde. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, [s.l.], v. 22, n. 67, p. 1197-1207, dez. 2018. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622017.0218.

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